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B-Link Securitizadora: Congresso volta pós Carnaval e mercado monitora a reforma da Previdência!

11/03/2019

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Reza a lenda que o ano só começa de verdade no Brasil depois que acaba o Carnaval. Para o governo, essa história é a mais pura verdade, já que, agora, mais do que nunca, é a hora de organizar sua base de apoio dentro do Congresso para tentar andar com a tão esperada reforma da Previdência.

 

O governo entrou no seu terceiro mês vendo se avolumarem as preocupações em torno da votação da reforma da Previdência. A proposta que muda as regras para a aposentadoria foi entregue ao Congresso no dia 20 de fevereiro e duas semanas depois, continua parada onde foi entregue. Ainda não há relator escolhido para o projeto e nem mesmo a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que terá que dar o aval à proposta para que ela siga seu caminho na Câmara, foi instalada. O próprio governo acredita que a criação da CCJ deve se arrastar por mais duas ou três semanas.

 

Podemos discutir se esse prazo é longo ou não, mas a verdade é que há um grande sentimento de urgência em torno da reforma da Previdência. E essa morosidade tem inquietado analistas e investidores. Tal sentimento já começa a impactar, por exemplo, na cotação da moeda norte-americana, que chegou a operar próximo a R$ 3,88 (maior patamar no ano) e nesta segunda é negociada a R$ 3,85, claro que ajudado por um cenário externo bem turbulento, com indicações cada vez maiores de um forte desaquecimento da economia global.

 

Nesta onda de preocupação, temos ainda o esforço dos servidores públicos em alterar diversos pontos da reforma para reduzir os impactos na categoria. Fortemente atingidos pela proposta de reforma previdenciária enviada pelo governo ao Congresso, os servidores públicos preparam um lobby poderoso para defender a manutenção daquilo que o próprio ministro da Fazenda, Paulo Guedes, classificou de “privilégios”. Além de fazer pressão diretamente nos parlamentares que vão votar o projeto, as categorias também elaboram um plano de ação com ramificações nas bases eleitorais dos deputados, com o objetivo de desestabilizar a base aliada do governo no Congresso Nacional.

 

As entidades que representam os servidores já estão procurando os ministros, autoridades e lideranças no Congresso para tentar emplacar flexibilizações no texto. O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), por exemplo, publicou em sua conta no Twitter uma lista de 22 entidades, sobretudo de sindicatos e associações que defendem os interesses dos servidores públicos, com quem se encontrou nos últimos dias. As novas regras propostas pelo governo para os servidores públicos endurecem bastante o caminho para se chegar à aposentadoria. Os servidores querem evitar essas mudanças a todo custo.

 

O que o mercado financeiro e os políticos têm cobrado é um engajamento mais efetivo do presidente Jair Bolsonaro da defesa da reforma. O mercado está carente de sinais mais concretos de que o presidente está realmente trabalhando para construir uma base de sustentação que garanta a aprovação do projeto. Existe uma grande preocupação no ar de que saia do Congresso uma reforma “tímida”. Por enquanto, o presidente tem demonstrado uma preocupação muito maior com questões de moral e costumes do que com temas econômicos ou políticos relevantes.

 

Essa semana começa com o cenário doméstico retomando um pouco o tom de otimismo e na expectativa que a reforma da Previdência volte aos holofotes com o retorno dos parlamentares após o recesso de Carnaval. O Ibovespa abriu em alta de 0,64%, operando acima dos 96 mil pontos e o dólar recuando 0,50% valendo R$ 3,8470 e os indicadores também se beneficiam do tom positivo no exterior. O mercado europeu opera em leve alta à espera da rodada decisiva de votações do Brexit inglês e o mercado asiático fechou positivo após o banco central chinês prometer mais estímulos à economia com a redução de custos de empréstimos após dados apontarem a queda de financiamento em fevereiro por fatores sazonais.

 

Já na tradicional pesquisa FOCUS, divulgada hoje pelo banco central brasileiro, os economistas mantiveram suas principais projeções. Tivemos pequena oscilação no PIB para 2019 que caiu de 2,30% aa na pesquisa da semana passada para 2,28% e o IPCA que subiu de 3,85% aa para 3,87%aa. Selic e dólar ficaram no mesmo patamar de 6,50% aa e R$ 3,70 respectivamente.

 

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